| Música
no. 06 (dezembro/98 ) |
O
Negro Gato de arrepiar
Luiz Melodia é merecidamente uma das figuras mais cultuadas da MPB .
Esse carioca do Morro de São Carlos surgiu pelas mãos de Gal Costa, que no início dos
anos 70 descobriu sua música e gravou "Pérola Negra", uma de suas mais
conhecidas (e belas) canções. Isso alavancou a sua carreira, e em 1973 Luiz Melodia
lançou seu primeiro disco, o álbum "Pérola Negra".
Sempre foi um músico polivalente: desde o primeiro disco, elementos das mais diferentes
vertentes musicais já se apresentavam: do funk ao samba, do choro ao bolero e do blues ao
rock'n'roll, tudo era e ainda é ingrediente para o liquidificador sonoro de Melodia.
O disco seguinte ("Maravilhas Contemporâneas" - 1975) veio para provar que ele
vinha mesmo para ficar. O disco fez relativo sucesso em virtude de a música
"Juventude Transviada" ter sido usada como tema de novela da Globo na época.
Isso serviu para que Luiz Melodia pudesse conquistar seu espaço e se consolidar na cena
musical musical brasileira. Mas, apesar disso, ele nunca foi um grande vendedor de discos,
e por isso mesmo sempre carregou o estigma de "maldito", "marginal" e
"alternativo". Isso acabou prejudicando bastante sua carreira a partir daí, e
desde o fim dos anos 70 até os anos 90, sempre teve problemas com a divulgação de seu
trabalho pelas gravadoras.
É que Luiz Melodia nao é pequeno como elas. Sabe o tempo que é necessário para fazer
um disco à altura de seu talento. Se observarmos sua discografia veremos que ele é um
artista, digamos, "bissexto": em 25 anos de carreira, lançou apenas 7 discos
(mais um ao vivo). Mas cada disco é uma preciosidade, e Luiz mostra que, apesar da
pequenez musical das rádios e do "mainstream", um artista como ele pode
sobreviver e nos brindar, de tempos em tempos, com uma nova jóia rara. Meus prediletos :
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Pérola Negra (1973) Disco de estréia, referência para tudo o que hoje se chama de
"pop brasileiro". As duas homenagens ao Largo do Estácio ("Estácio, holly
Estácio" e "Estácio, eu e você"), a lírica "Magrelinha" e a
própria "Pérola Negra" já fazem por si só desse disco um clássico. |
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Maravilhas
Contemporâneas (1975) Realmente uma
maravilha. Amadurecimento musical em relação ao primeiro disco. Se não tem o mesmo
frescor, já aponta os novos caminhos que Melodia seguiria dali em diante. Destaque para
as faixas "Juventude Transviada", "Congênito", "Memórias
Modestas" (um blues carregado) e "Mary" (que tem uma levada jazzística). |
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Claro (1987) Lançado após quase 7 anos de silêncio, é um disco mais do que
especial. Destaque para as faixas "Decisão", "Que loucura" e para a
regravação de "Broto no Jacaré", antigo sucesso da Jovem Guarda. A minha
cópia em vinil autografada eu nao vendo por dinheiro nenhum :-) |
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Pintando o sete (1992) Mais 5 anos de jejum, e ele pinta o sete de novo !! O maior sucesso
do disco foi uma nova gravação para a música "Codinome Beija-Flor" (de
Cazuza, Ezequiel Neves e Reinaldo Arias, que também foi tema de novela da Globo). Na
minha opinião entretanto essa é uma das canções menos inspiradas num disco que tem,
entre outras, "Sigo e vou", "Cara cara", "Maura"
(composição de seu pai Oswaldo Melodia), "Poeta do Morro" e uma homenagem aos
Novos Bahianos: a regravação de "Mistério do Planeta" (de Moraes Moreira e
Galvão). |
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14 quilates (1997) Mais 5 anos, e mais um grande disco com composições inéditas.
Destaque para a regravação de "Ébano", um grande sucesso seu nos anos 70. E
tem mais: "Começar pelo recomeço" , "Dançou, dancei" (um rock com
participação especial de Frejat, do Barão Vermelho, que já gravou uma canção sua),
além da deliciosa "Morena brasileira". |
Como acontece com todo artista brasileiro genial que nao vende milhões de discos, nao é
fácil encontrar todos os seus trabalhos em CD. O disco de estréia "Pérola
Negra" até que é facilmente encontrável, e com um pouco de sorte pode-se achar o
mais recente "14 quilates", além de uma ou outra coletânea
"esperta". Além desses, só garimpando em lojas especializadas e sebos. Foi o
que eu fiz para encontrar os discos "Maravilhas Contemporâneas" e
"Claro", que chegaram a ser lançados em CD, mas saíram de catálogo quase que
imediatamente depois.
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