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Titulo : 31 - SCORM x EML
Autor : Jaime Balbino G. Silva
Email : jaime@ccuec.unicamp.br
Editora : Boletim EAD - Unicamp / Centro de Computação / Equipe EAD
Data de Publicação : 15 de Abril de 2002

Apresentando EML

O EML (Educational Modelling Language) é um padrão para criação e administração de processos de aprendizagem (cursos virtuais e presenciais, programas de estudo, apostilas, livros, etc..). Sua base inicial de desenvolvimento é o UML (Unified Modeling Language), um reconhecido processo de modelagem orientado a objetos criado para a área de programação, mas também utilizado em outros segmentos, como em administração.

O objetivo do EML é criar uma notação que consiga representar integralmente uma unidade de estudo (um curso ou parte dele, por exemplo), isto é, não apenas seu conteúdo (textos, tarefas, provas, etc...), mas também as regras, relações, interações e atividades dos estudantes e professores. A melhor implementação do EML é em XML, uma meta-linguagem internacionalmente aceita para a estruturação e descrição de documentos e dados.

O EML é uma iniciativa da Universidade Aberta da Holanda (UONL) , iniciada em 1998 e que ainda está em desenvolvimento. Este trabalho concorre para a elaboração de um formato europeu aberto de e-learning, sendo o Edubox seu primeiro resultado prático. Outra iniciativa independente, para a plataforma Zope (Boletim EAD 25), é o FLE3 , da Universidade de Arte e Design de Helsinki/Finlândia (UIAH), já abordado em nosso Boletim EAD 29.

Nosso objetivo aqui é fazer uma comparação entre esta iniciativa holandesa e a solução americana SCORM, apresentada em um artigo recente da EAD Unicamp . É interessante lembrar que essas duas não são as únicas soluções para e-learning que possuem as características aqui analisadas, entre tantas outras que poderíamos citar, estão o Palo , o ELM, o TML e o EDUML. Projetos espanhois, alemães, ingleses e franceses, respectivamente. .

As semelhanças

Tanto o EML como o SCORM começaram a ser desenvolvidos de forma independente, praticamente na mesma época e estão em conformidade com padrões internacionais para educação eletrônica (IMS, IEEE-LTSC e CEN/ISSS WS-LT). As duas propostas fazem parte de grupos e consórcios internacionais de normatização, que buscam universalização e compatibilidade, sem limitar a diversidade de soluções que podem ser criadas.

Ambos os padrões possuem características que garantem a perenidade do material gerado, através da adoção da meta-linguagem XML como formato final. Dessa forma o conteúdo gerado nessa linguagem pode ser utilizado em qualquer ambiente e com quaisquer ferramentas, que aceitem XML, atuais ou futuras. Em tese, o uso da XML garantiria até mesmo a existência de compiladores SCORM para EML e vice-versa, tornando o aproveitamento dos módulos ainda mais eficiente e independente da linguagem de desenvolvimento.

Então, quais as diferenças entre o EML e o SCORM?

A principal delas é que o SCORM não é de uso livre. A ADL, desenvolvedora da linguagem, deixa claro uma estratégia comercial que passa pela adoção de um padrão proprietário, não limitando a divulgação dos fontes e controlando o desenvolvimento de software baseados em seu padrão dentro de um política de homologação e licenciamento. Nada contra essa política, pois muitas ótimas linguagens são proprietárias. No entanto cabe questionar se é interessante, neste estágio de desenvolvimento das linguagens para modelagem educacional, optar por um modelo proprietário. Vale lembrar que os importantes software comerciais já estão licenciados pela ADL, entre eles o WebCT , o BlackBoard e o Authorware.

O EML é de uso livre - apesar de não ser GPL. A OUNL disponibiliza não somente os códigos fontes, como também esclarece com uma farta documentação, toda a metodologia adotada no desenvolvimento, possibilitando a readaptação e a criação de outras linguagens baseadas no mesmo conceito. Esta política favorece não apenas o desenvolvimento livre de software de autoria ou integrados ao EML, como também permite a criação de novas soluções, focadas em outros princípios educacionais ou administrativos, adaptadas à cultura local e regionalizadas, por exemplo, com comandos em língua portuguesa e com enfoque para as escolas brasileiras.

Numa tentativa de garantir o reaproveitamento de materiais já criados em outras plataformas, o SCORM não é completamente Orientado a Objetos. Ele possui uma estrutura de orientação a objetos própria. Já o EML é completamente Orientado a Objetos e exige esse conhecimento na elaboração do curso. Isto pode garantir uma melhor integração entre o software e o planejamento do material, gerando códigos mais legíveis, muito mais próximos do que foi proposto inicialmente, e melhorando a integração entre a equipe educacional que pensa o curso (professores e outros profissionais) e a equipe técnica, encarregada de implementá-lo.

Por fim, o SCORM é mais voltado para a instrução, isto é, cursos comerciais, tutoriais e treinamentos. O EML é mais abrangente e seu processo de elaboração leva em conta a análise das principais teorias educacionais. O modelo desenvolvido para a EML denota a necessidade dos profissionais envolvidos situarem claramente as vertentes pedagógicas e metodologias que serão aplicadas em seus cursos. Esta preocupação praticamente obriga a criação de cursos consistentes, que tenham uma estrutura coerente e clara aos profissionais envolvidos e aos alunos.

Considerações finais

A necessidade de se desenvolver um padrão mundial para o e-learning levou a busca de uma estrutura que garantisse ao mesmo tempo a compatibilidade entre os software e hardware, não limitasse o desenvolvimento de soluções globais e específicas, permitindo, assim, tanto a regionalizado de soluções, como também um melhor avanço tecnológico. A adoção da XML é uma das principais e mais visíveis conseqüências desse esforço. O SCORM foi o primeiro produto a utilizar dessa filosofia. No entanto, o desenvolvimento de outras soluções, livres e proprietárias, indicam que ainda há muito a se fazer sob este novo paradigma. Com certeza o desenvolvimento de e-learning independente de plataforma, descolado de conteúdo e livre para o reaproveitamento de código amplia em muito os horizontes da EAD e, por que não dizer?... do ensino presencial.


Referências

Sobre o EML: http://eml.ou.nl/

Sobre o SCORM: http://www.adlnet.org

Sobre o Modelo Pedagógico do EML, por Rob Koper: http://eml.ou.nl/introduction/docs/ped-metamodel.pdf

Sobre Learning Objects (Objetos de Aprendizagem), conceito-chave para a modelagem de ambientes educacionais, por Stephen Downes: http://www.irrodl.org/content/v2.1/downes.html (Este texto também possui uma interessante apresentação do SCORM e de outras linguagens educacionais.)

WebCT e SCORM: Apresentação em PowerPoint

Sobre XML: http://www.w3.org/XML/ (o mesmo documento pode ser encontrado em interlingua: http://www.nautilus.com.br/~ensjo/ia/w3.org/)


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